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  • Thito Campos

Live no Instagram com Jean Ícaro sobre seu livro “Cura Gay”

A live que rolou no sábado (dia 20 de Junho) contou com a mediação de Kayo Vilche juntamente com Jean Ícaro, mestre em psicologia social, pesquisador de diversidade sexual e de gênero, e também escritor do livro “Cura Gay - Não existe cura para o que não é doença”.


Seu trabalho construído a partir de experiências, relatos e estudos, denuncia a tentativa de alguns psicólogos de converter pacientes da comunidade LGBTQI+ a partir da ideia de uma “cura gay” com métodos desenvolvidos por eles mesmos, algo que nunca foi ensinado através da academia de psicologia e que hoje é considerado crime. Já esclarecendo que o nome do livro em si não trás a intenção de propagar essa ideia como consta na descrição da campanha no Catarse: “Optamos utilizar "Cura Gay" no título do livro com o intuito de problematizar esse erro e, em alguma medida, deixar evidente o desentendimento ético e técnico que ronda as terapias de conversão de orientação sexual.”


1. Capa do livro “Cura Gay” de Jean Ícaro, publicado pela Editora Taverna


Jean começa a live contando sobre sua experiência em uma sessão (na época ele já se encontrava num relacionamento com outro homem) em que presenciou uma ação de terapia conversiva por parte da psicóloga, como se ela tratasse o comportamento dele e de prováveis outras pessoas com relacionamentos homoafetivos como uma doença. Como diversas formas de preconceito enraizadas dentro da sociedade como o feminicídio, racismo, capacitismo, entre outros, a ideia de que a construção da comunidade LGBTQI+ e suas formas de amar fossem uma doença, são argumentos que desde sua criação até hoje não possuem fundamento.


Usemos de exemplo o contexto da antiga Europa com ações justificadas através do discurso religioso (deixando claro que o Prateleira de Quadrinhos não vai contra qualquer tipo de religião ou crença, somos expressamente a favor da liberdade de culto a diversas religiões) que se estenderam dentro da ciência e acabou criando a convenção de que homossexualidade, bissexualidade e transexualidade eram coisas anormais. Mas em 17 de maio de 1990, a OMS (Organização Mundial da Saúde) extinguiu a homossexualidade da “Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde”.


2. Vídeo: O que é LGBTQI+ e história do movimento | Canal das Bee no GNT | Orgulho LGBTQI+


Também foi discutido sobre invisibilidade da comunidade Trans, abrindo espaço para falar sobre o tratamento também de profissionais da medicina diante de pessoas transexuais, como a prescrição de hormônios considerando seus desejos e percepções como “desvio de personalidade”. Por mais que considerado crime tratamentos que levem a coagir o paciente a uma terapia conversiva e que o profissional tenha sua licença cassada, ele ainda pode continuar exercendo suas atividades já que possui o diploma de formação, o que ainda mantém em risco muitas pessoas do meio LGBTQI+ de se tornarem vítimas do discurso de que sua atração por alguém do mesmo sexo ou de se permitir reconhecer alguém diferente do corpo em que nasceu como uma doença, atrelar isso a sua baixa autoestima ou outros discursos que façam as pessoas aceitarem este tratamento para serem aceitas/amadas.


O debate foi-se chegando ao fim com Kayo ressaltando a importância do espaço de conquista que é poder se assumir para a própria família, já que nem todas as pessoas (especialmente jovens) têm a mesma forma de aceitação dentro do círculo familiar, Jean conclui dizendo que um de seus sonhos é que as pessoas venham a ler seu livro e que mais pessoas LGBTQI+ venham a denunciar métodos de conversão em seus tratamentos como forma de dar fim a propagação dessa ideia, sabemos que na verdade estamos longe desse fim mas é um caminho árduo que devemos enfrentar por uma sociedade mais justa e carregada de amor.


3. Ilustração por Cartumante


Vale ressaltar que, por mais que discutimos sobre essas formas de tratamento em terapia, é muito importante que busquemos acompanhamento psicológico, nossa saúde mental é de extrema importância para que possamos continuar vivendo, construindo relações de afeto e lutando pela extinção da desigualdade que nos aflige, principalmente nos tempos em que vivemos.


E pra fechar, não deixe de apoiar a campanha para publicação deste livro no Catarse. Lá tem diversas recompensas super bacanas que você pode adquirir doando a partir de R$25,00. Lembrando que a campanha vai até dia 18 de Julho, então nem perde tempo, corre lá!


Link para apoiar: https://www.catarse.me/cura_gay